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O eterno factóide americano do combate ao terrorismo | 23Jul2010 17:00:00
Publicado por: JudsOnline

Mundo - Abaixo segue trecho de excelente matéria publicada na revista Fórum. Vale a pena conferir o principal motivo que levam os Estados Unidos a infligir uma onda de terror ao Irã, com a velha justificativa de sempre do 'combate ao terrorismo'.
Os EUA alegam que querem afastar o risco de um ataque nuclear no Oriente Médio. Mas estão em busca do contrário.
Nos últimos meses, a obsessão dos Estados Unidos com o Irã está se tornando tão feroz quanto a que havia, no tempo de George Bush, com o Iraque. Na retórica, Washington preocupa-se com o eventual desenvolvimento de armas atômicas por Teerã. Alega que este passo, se alcançado, colocaria em risco Israel – seu principal aliado no Oriente Médio. Associa a suposta ameaça à volta do anti-semitismo, o movimento político-ideológico que provocou o Holocausto praticado contra os judeus pelos nazistas, antes e durante a Segunda Guerra.
O Irã afirma que seu interesse na energia nuclear relaciona-se a fins pacíficos: energéticos e médicos. Argumenta que suas reservas de petróleo estão em rápido declínio (o que é real). Acrescenta que o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de que é signatário, autoriza o domínio tecnológico do enriquecimento de urânio (igualmente verdadeiro). Único chefe de Estado presente à abertura da rodada de revisão do TNP, no início de maio, o presidente iraniano afirmou, na ocasião, que “possuir armas nucleares não deveria ser motivo de orgulho, mas de vergonha”.
É possível que o Irã pretenda desenvolver armas nucleares. Mesmo nesse caso, avalia o analista político e ativista norte-americano, Robert Naiman, tal atitude não deveria ser vista como um atentado à paz no Oriente Médio – nem ameaçaria Estados Unidos ou Israel. Coordenador da associação Just Foreign Policy, que luta por mudanças na política externa norte-americana, Naiman julga que Teerã pode perseguir, no máximo, o objetivo de dissuasão nuclear – ou seja, de anulação das armas devido ao risco de represálias. Este seria o “risco” que amedronta Washington e Tel-Aviv.
Naiman explica. Um eventual ataque do Irã a Israel significaria suicídio nacional. Calcula-se que o arsenal israelense seja composto de cerca de 200 bombas atômicas. Para transportar estes artefatos com precisão, as forças armadas de Tel-Aviv dispõem de aviões-bombardeiros e mísseis altamente sofisticados, além de reconhecido know-how para operá-los. Provocar este poder seria riscar o Irã do mapa. Ahmadinejad, por mais descabidos que sejam seus rompantes antiisraelenses, sabe disso.
O que o Irã pode estar perseguindo, prossegue a análise, é neutralizar este poder nuclear, opondo a ele o risco de retaliação. Israel pensaria várias vezes antes de usar seu arsenal atômico, se soubesse que pode haver uma resposta contra sua própria população. A ciência das guerras ensina que para dissuadir um ataque não é preciso ter poder de fogo equivalente ao do adversário. Basta estar em condições de infligir danos que desencorajam um primeiro ataque.
O verdadeiro objetivo das pressões sobre Teerã, conclui Naiman, é, portanto, preservar o desequilíbrio de forças que prevalece no Oriente Médio. Para tanto, a supremacia nuclear de Israel deve ser mantida – evitando-se, inclusive, que qualquer outro país aproxime-se do desenvolvimento de uma arma atômica e alcance, com isso, capacidade de dissuadir um eventual ataque de Tel-Aviv.
Não deixa de ser reconfortante saber que esta estratégia está sendo questionada, no novo cenário internacional de que fazem parte o acordo Brasil-Turquia-Irã e a rodada de revisão do TNP.
- Leia esta matéria completa no sítio da revista Fórum
- O interesse dos Estados Unidos no Irã é um só: petróleo
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