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Ao Sul da Fronteira: O lado obscuro da mídia | 28Jun2010 16:00:00
Publicado por: JudsOnline

Mundo - Muitas foram as críticas que li e ouvi da ‘grande mídia’ sobre o documentário de Oliver Stone (foto) retratando a ‘nova’ corrente política que se estende sobre a América Latina nesta última década do início do século 21. Eu vi o documentário, num raro fim de tarde gelado do inverno carioca, e posso dizer que as impressões que tive do documentário foram as melhores possíveis. Não venha já deduzindo que sou partidário do Hugo Chávez, do Evo Moralés, do Rafael Corrêa, do casal Kirchners, ou tampouco do Lula. Nenhum desses entra para o meu seleto time de grandes pensadores na qual admiro. No entanto, o filme retrata de modo bem visível que não dá mais para fugir da manipulação da informação, seja por quem ou por qual meio for. A verdade, cedo ou tarde, sempre vem à tona. E isso é o que mais gostei! O ponto alto do documentário é mostrar a parcialidade da imprensa, em especial a americana, as tramas, as edições e montagens mentirosas de fatos que não existiram e se existiram, não foram mostradas e narradas como verdadeiramente aconteceu.
Para exemplificar isso, boa parte do documentário na qual o ‘el capitan’ venezuelano Hugo Chávez é o comandante, mostra as cenas do golpe tramado pelos opositores de Chávez e a edição de imagens da TV americana ‘Fox News’ e ‘CBS’ na qual mostram chavistas mortos e dizem que aqueles corpos eram os dos opositores do governo Chávez que foram assassinatos por oficiais de seu governo. Nesta parte, é também nítida a participação da TV venezuelana RCTV, que na época em 2002, fez a mesma edição das imagens como as TV´s americanas e as colocou no ar. Isso pode até mesmo justificar o fato de Hugo Chávez negar a concessão para a RCTV como aconteceu em 2007. Eu não concordo em parte alguma com censuras. No entanto, a liberdade de expressão deve ser acompanhada de responsabilidade pelo o que se vincula. No caso da RCTV, analisando a sua história fica nítido que ela jogou sujo e muito. A imprensa pode e deve protestar, cobrar, criticar; mas nunca, armar, partidarizar e tramar levianamente mentiras que comprometam a soberania do país e de um governo eleito democraticamente.
Ao mostrar como a imprensa pode ser usada somente para divulgação de mentiras e armações políticas, Oliver Stone, comprou briga com todos aqueles que confundem a liberdade de expressão com a responsabilidade da informação. E hoje, infelizmente, são poucos os veículos de comunicação de credibilidade, apesar de a maioria se auto intitular que são. É preciso estar atento, e ainda bem que a internet oferece a oportunidade de ampla informação, ampla análise, multiplicidade de visões dos fatos, que permite ao leitor distinguir a mentira da verdade, a parcialidade da imparcialidade, a superficialidade da profundidade, e por fim, a realidade e a invenção. Este é o motivo principal das muitas críticas da imprensa 'especializada' ao documentário. O medo da verdade e da exposição do que passa nos bastidores dos fatos é evidente. Se você ainda não viu ‘Ao Sul da Fronteira’, é bom que veja.
Judson Clayton Maciel é cientista político
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