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Ditadura durou 17 anos | 10Dez2006 19:50:00

Publicado por: JudsOnline


O ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que
morreu neste domingo (10), liderou durante 17 anos a ditadura mais prolongada da história do Chile.

Cada vez mais isolado, com uma saúde comprometida e sob uma nova ordem de prisão domiciliar desde 27 de novembro, o ex-ditador, que acabou de completar 91 anos, sofreu no domingo passado um infarto do miocárdio e um edema pulmonar agudo.

A figura de Augusto Pinochet Ugarte, nascido no porto de Valparaíso em 25 de novembro de 1915, era desconhecida para os 15 milhões de chilenos até a manhã de 11 de setembro de 1973, quando liderou o golpe militar que terminou com o suicídio do presidente socialista, Salvador Allende, no Palácio de La Moneda.

Transformado em líder supremo da nação e mais tarde em presidente da república, Pinochet fechou o Parlamento, dissolveu os sindicatos, proscreveu os partidos políticos e desatou uma repressão que deixou mais de 3.000 mortos e desaparecidos, enquanto outras centenas de milhares de chilenos partiram para o exílio.

Com outros ditadores do Cone Sul, em novembro de 1975, organizou a "Operação Condor" para eliminar os opositores além das fronteiras de seus respectivos países.

"No Chile não há uma folha que se mova sem que eu saiba", foi uma de suas declarações mais famosas, quando se confirmou na chefia da ditadura mais prolongada que o Chile enfrentou em sua história republicana.

Na época, ele não poderia imaginar os problemas que o esperavam a partir de 16 de outubro de 1998, quando foi detido em Londres para ficar exposto, durante 503 dias, perante a comunidade internacional como a encarnação das piores violações dos direitos humanos.

Tampouco poderia prever que seria detido e julgado em seu próprio país, como ocorreu em 31 de janeiro de 2001 por ordem do juiz Juan Guzmán Tapia, que conseguiu despojá-lo de sua imunidade para submetê-lo a um primeiro julgamento por violações dos direitos humanos e enfrentar um pedido de extradição para a Espanha que não se concretizou.

Liberado por "razões humanitárias", Pinochet voltou ao Chile em 3 de março de 2000, doente, humilhado e sem suas antigas posições de poder.

Esta surpreendente detenção em Londres foi o início de seu ocaso, que nos últimos anos o obrigou a se retirar em sua residência situada ao leste de Santiago ou no sítio de Los Boldos, na costa central chilena.

Ali, ao lado da esposa, recebe as visitas periódicas de seus cinco filhos, de seus netos e dos poucos partidários que ainda lhe restam.

"No dia em que tocarem algum de meus homens se acaba o Estado de Direito", advertiu Pinochet pouco antes de deixar o poder, em 11 de março de 1990, mas no ano 2000, a Suprema Corte o despojou de sua imunidade parlamentar para enfrentar mais de 100 processos por crimes contra a humanidade.

Desde 27 de novembro, o ex-ditador cumpria prisão domiciliar no âmbito de um processo por dois dos desaparecidos deixados pela "Caravana da Morte", uma comitiva militar que percorreu o Chile no início da ditadura.

A nova detenção ocorreu um ano depois da primeira, que durante seis meses também cumpriu em sua residência, quando foi submetido a dois julgamentos que ainda estão em andamento.

Em um deles, foi acusado dos desaparecimentos durante a "Operação Colombo", um plano repressivo executado por agentes do regime militar para eliminar opositores.

No outro, o juiz Carlos Cerda estabeleceu a responsabilidade de Pinochet em fraude tributária, falsificação de documentos e outros crimes vinculados com as contas secretas que manteve em bancos dos Estados Unidos e de outros países, descobertas pelo Senado americano em meados de 2005.

O general enfrentou há seis anos um primeiro julgamento no Chile por 75 assassinatos e seqüestros executados pela "Caravana da Morte", mas a Suprema Corte encerrou o processo sem sanções em julho de 2002, ao considerar que o ex-ditador sofria de uma "demência moderada" que o impedia de se defender perante os juízes.


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